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06 outubro, 2016

O paradoxo da missão cristã na Europa

Jim Memory

O contexto religioso da Europa é um paradoxo. Grandes catedrais e igrejas históricas se espalham por todo o continente; ainda assim a porcentagem de europeus com ligação significativa com a Igreja nunca foi tão baixa. Na República Tcheca estão alguns dos monumentos mais magníficos do cristianismo, porém, como muitos estudiosos verificaram, ali vivem também as pessoas mais secularizadas de toda a Europa. Apenas 11% dos tchecos acreditam na existência de um Deus pessoal.1

Essa observação levou muitos a concluir que a Europa é o novo “continente negro”, resistência do secularismo onde a proclamação do evangelho tem pouco impacto. Todavia, essa posição também é simplista demais. Nos anos de 1880, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche proclamou pela primeira vez sua famosa frase “Deus está morto” e, de lá para cá, gerações inteiras de filósofos e sociólogos aguardaram a morte do cristianismo na Europa, certos de que ela ocorreria. Contudo, 70% dos europeus (e 62% dos que têm entre 20 e 29 anos de idade) afirmam acreditar em Deus. Apenas 17% vão à igreja toda semana e, mesmo assim, 27% afirmam que oram todos os dias. Esse fenômeno da fé resistente acompanhada por desligamento institucional levou Grace Davie, socióloga da religião, a descrever a situação religiosa na Europa como “acreditar sem pertencer”.2