PREFÁCIO
Este estudo foi preparado com o propósito de ajudar os estudantes brasileiros a entenderem com mais propriedade como a ciência das missões (missiologia) chegou até aos nossos dias principalmente serem apresentado aos principais missiólogos e os conceitos que eles trouxeram para o auxílio e desenvolvimento desta matéria.
Sou grato a tantos que me auxiliaram e me encorajaram no estudo da missiologia. Paul B. Long, Paul E. Pierson, Charles Van Engen e principalmente a Orlando E. Costas, a quem nunca encontrei pessoalmente a não ser através dos seus escritos e sobre os quais realizei a minha tese no Fuller Seminary.
Estes estudos foram feitos com o auxílio de C. T. Carriker, amigo de longa data, e dos escritos de David Bosch, Johannes Verkuyl, Orlando Costas. Sugiro que os alunos continuem refletindo sobre a igreja brasileira desde a perspectiva da sua missão, pois é tão somente através desta reflexão que as ações da igreja poderão ser corrigidas e norteadas. Sem a missão não há igreja.
1 - INTRODUÇÃO
Teologia significa refletir sobre as ações de Deus na história. Deus é conhecido através dos seus atos (Oscar Cullmann). Quando falamos de teologia de missão isto é mais verdade ainda, porque a teologia de missão trata especialmente dos atos redentivos de Deus na história.
É necessário ler a Bíblia dentro desta perspectiva e refletir missiologicamente sobre tudo o que ela nos apresenta. Este exercício deve ser feito por todos os cristãos, mas especialmente por aquelas pessoas que tem como responsabilidade guiar o povo de Deus em toda a verdade revelada.
A. MISSIOLOGIA
É o estudo das atividades salvíficas de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo através de todo o mundo, desde a criação da terra até a segunda vinda de Cristo. Gustav Warneck, o pioneiro na ciência das missões, sugeriu o termo Missionslehre, teoria das missões. O nome missiologia foi sendo cunhado aos poucos e hoje é internacionalmente aceito.
Já aqui levantamos o problema do conteúdo da missão. As missões no passado carregavam na linguagem centralizada nas igrejas da Europa e Estados Unidos. Era a nossa missão, a nossa igreja, os nossos missionários. A partir de Willingen (Alemanhã 1952) passa a pensar no missio Dei. A missão é de Deus e não nossa. "O movimento missionário do qual fazemos parte tem com fonte o Deus Trino". A idéia desenvolvido era a de que Deus era ao mesmo em Jesus o que envia e o enviado. Deus enviou o Filho, que enviou o Espírito, que envia a igreja ao mundo. Posteriormente, veio também a ênfase no missio ecclesiae, ou seja: Não existe participação em Cristo sem a participação na sua missão.
John Taylor e Johannes Aagaard apontaram que devíamos pensar mais em missiones Dei, para enfatizar as inúmeras formas de trabalhos missionários. Este termo chama à atenção para o relacionamento entre missio e missiones.
B. SUA FUNÇÃO
1. Estender o Reino de Deus
2. Em todas as eras sua tarefa é investigar e desenvolver métodos para alcançar os povos para o evangelho;
3. Deve testar a prática da missão mundial, e avaliar projetos e programas tendo a Bíblia como padrão. Missiologia não é o substituto para a ação e participação. Missiologia é o apoio necessário para o progresso da obra missionária.
4. Ela critica as pressuposições, motivos, estruturas, métodos, padrões de cooperação (Verkuyl).
C. QUATRO IMPORTANTES TEOLOGIAS DE MISSÃO
a) Teologia Conciliar
Esta é a teologia procedente do Conselho Mundial de Igrejas. As raizes desta teologia se estente aos anos 1920/30 mas que tomou forma mais definitiva nos idos de 1960. O propósito é trabalhar um paz mundial, um mundo mais justo e uma sociedade participativa.
1. Conteúdos Básicos:
• a. Missão é tudo aquilo que Deus está procurando fazer no mundo hoje.
• b. Deus está trabalhando no meio de todos os povos, em todas as terras, trazendo o seu reino de comunhão, justiça e paz.
• c. Deus está trabalhando entre todos os homens e mulheres de todas as religiões.
• d. Evangelismo é aquela parte da missão que está preocupado em mudar as estruturas maldosas da sociedade a fim de que a vontade de Deus para a humanidade seja realizada.
• e. Em toda a parte a igreja é uma única igreja e deve ajudar a todos a transcender seus egoísmos e pecados éticos, seus ódios, preconceitos e orgulhos.
• f. Salvação é salvação hoje.
• g. Conversão é uma volta de tudo aquilo que limite a vida, de tudo aquilo que é contrário à vontade de Deus para o seu povo para tudo aquilo que capacita para a vida.
• h. A suprema tarefa da igreja hoje é libertar congregações e denominações de seus egocentrismos e mobilizá-los para uma nova tarefa no mundo.
• i. Relacionamentos verticais recebem mais ênfase do que os verticais.
• j. Em relação a evangelismo e missão, a suprema autoridade em cada país é a igreja daquela terra.
2. Avaliação
A teologia conciliar não está muito embasada nas Escrituras. Ainda que ela usa o mesmo vocabulário que nós usamos, este vocabulário tem outro sentido. Ela não leva muito a sério a salvação eterna, bem como a doutrina da punição eterna. A Bíblia é usada muito fora de contexto.
O C.M.I. é muito influente nas igrejas do terceiro mundo, porque ele forneceu a estas igrejas um status que elas não tinham no passado, principalmente suporte financeiro para muitas causas, principalmente as de libertação de regimes opressivos.
b) Teologia Evangélica de Missão
Tem por certo que o início desta teologia pode ser datado dos grandes líderes do movimento missionário, tais como Carey, Judson, Taylor, Speer e Mott.
1. Propósito:
O propósito desta teologia é trazer povos de volta à vida que Deus havia intentado para eles: uma vida de dedicação consciente ao Senhor Jesus Cristo e de um compromisso responsável com a igreja.
2. Conteúdo:
• a. A absoluta inspiração e autoridade da Bíblia
• b. A doutrina da vida eterna.
• c. A doutrina da perdição da raça humana.
• d. A doutrina de Cristo como o único mediador.
• e. A doutrina da igreja como o corpo de Cristo, como a família da fé.
• f. Evangelização e o fim dos tempos.
• g. A doutrina do Espírito Santo.
3. Avaliação:
Esta teologia está profundamente enraizada na Bíblia. O grande impulso missionário do último século veio da preocupação evangélica pela perdição da raça humana e também em completar o mandamento dado por Cristo.A significância deste movimento foi o resultado obtido na pregação da Palavra. Onde não havia igrejas, elas podem ser encontradas hoje.
c) Teologia da Libertação
Esta teologia nasceu na América Latina e está mais ligada com o movimento eclesial de bases da igreja Católica. Foi identificada principalmente com o padre peruano Gustavo Gutierrez.
1. Propósito
Libertar as pessoas dos problemas sociais, econômicos e políticos. Mostrar que na Bíblia há uma preocupação não somente com a alma do indivíduo, mas também com o seu corpo.
2. Conteúdo
• a. Teologia está acontecendo em um novo contexto: a dialética da opressão versus libertação.
• b. As teologias clássicas não tem relevância contemporânea e portanto devem ser esquecidas.
• c. O papel das Escrituras é dar suporte--não ser determinativo.
3. Avaliação
Levanta uma pergunta pertinente e relevante para a igreja hoje a respeito do pobre, do injustiçado e dos explorados da sociedade. Tem a Bíblia como base, fazendo um releitura dos evangelhos sob a ótica do desfavorecido.
Esta teologia preocupa-se muito pouco com o eterno, pois a preocupação maior é uma libertação (salvação) do contexto opressivo ao qual se encontra o ser humano. A metodologia também deve ser questionada e muitos dos postulados já foram deixados de lado, principalmente de autores mais radicais no início do movimento.
d) Católico Romano
A teologia de missão católica romana foi desenvolvida principalmente depois do Vaticano II, enunciado no docuento Ad Gentes.
1. Propósito
Proclamar a libertação de Jesus Cristo e incorporar os convertidos na Igreja.
2. Conteúdo
• a. Deus o Pai em sua própria natureza ordena, requer e sustenta a missão.
• b. Cristo foi enviado pelo Pai para redimir todos os pecadores.
• c. Cristo enviou o Espírito Santo para conduzir a missão divina.
• e. O próprio Cristo enviou os seus seguidores a todos os cantos da terra para discipular homens e mulheres.
3. Avaliação
O ponto de vista católico romano de missão é bíblico e a preocupação básica é proclamar o evangelho. Alguns conceitos são errados, principalmente o entendimento da igreja e a importância dela na salvação do ser humano. "Fora da Igreja não há salvação".
2 - AS MISSÕES MODERNAS E A FORMAÇÃO DO PENSAMENTO MISSIOLÓGICO.
A expansão do moderno movimento missionário se deu no século 19. Este é um fato já estabelecido pelos estudiosos da missão da Igreja. Existem algumas razões para explicar o desenvolvimento tardio do movimento missionário protestante.
1. Os Reformadores estavam ocupados com outras obrigações.
2. O entendimento dos teólogos do protestantismo escolástico (A aplicação da razão na informação se revelava organizada em textos teológicos e o método de tese) na leitura do NT e da Grande Comissão.
3. As guerras religiosas resultantes da Reforma.
4. A ausência da máquina protestante missionária.
5. O desinteresse dos governantes das nações protestantes.
6. Pouco contato com povos não-cristãos até quase o final do séc. 17 e séc. 18.
Naturalmente, que temos períodos anteriores ao século 19 onde presenciamos movimento de renovação dentro da igreja e que consequentemente ajudaria no despertamento de atividades missionárias.
A. PURITANISMO
Um movimento que procurou eliminar os últimos vestígios de Roma na Igreja da Inglaterra e que teve início no reinado da rainha Elizabete I (1558-1603).
B. PIETISMO
Surgiu primeiramente como um movimento dentro do luteranismo alemão sob a liderança de Philip Jacob Spener (1635-1705) e August Hermann Francke (1663-1727). Era uma reação contra o Escolasticismo influenciado pelo racionalismo da época, onde a vida cristã estava centralizada debaixo de uma passiva aceitação dos dogmas, da recepção dos sacramentos e da participação nas ordenanças da igreja.
Aquele relacionamento pessoal com Deus do qual Lutero havia pregado já não mais existia, o pietismo pregava que a religião era algo individual, não dependendo das estruturas, e por isso qualquer pessoa poderia cultivar as virtudes cristãs.
Spener atacou a estrutura eclesiástica da época com o seu Pia desideria e recomendou a reforma da igreja, do ministério e dos seminários, urgindo a necessidade do treinamento leigo quanto à leitura da Bíblia, estudo da Palavra e discussão dos sermões que eram pregados nos encontros chamados collegia pietatis (daí o nome pietismo). Francke imprimiu no pietismo alemão o zelo pelas missões, o que veio se tornar umas das principais marcas do pietismo.
C. MORAVIANISMO
O movimento Moraviano data do séc. 15 com os Hussitas. Após a morte de John Huss, seus seguidores formaram a Unitas Fratrum, o nome oficial da igreja. O termo moraviano surgiu no séc. 18. Possuíam uma crença muito simples, com uma forte ênfase nas Escrituras e uma preferência pelo pacifismo.
O movimento é conhecido pela figura do Conde de Zinzendorf, fundador da Herrnhut, um centro de refúgio que veio a se tornar um grande centro missionário. Zinzendorf foi influenciado pelo pietismo, afilhado que era de Spener e estudante de Francke. Foi através do moravianos que John Wesley veio a ter a sua fé aquecida para o ministério.
D. OUTRAS CONTRIBUIÇÕES
Na Inglaterra surgiu Sociedade Para a Promoção do Conhecimento Cristão ( SPCK) em 1699 por Anglicanos influenciados pelos pietistas.
1. Providenciar pastores para as colônias na América.
2. Suprir os pastores com livros.
3. Aumentar o conhecimento dos cristãos britânicos.
Trabalhava principalmente com literatura e publicou livros em quase todas as línguas principais na Europa e também África e Ásia. Por um período, sustentou o movimento missionário na Índia.
Temos, ainda, a Sociedade para a Integração do Evangelho (SPE), Sociedade Missionária Anglicana fundada em 1701 para dar seguimento a SPCK
1. Providenciar ministração da igreja da Inglaterra a súditos ingleses em outros países.
2. Evangelizar os povos não-cristãos
3- O AVIVAMENTO EVANGÉLICO
O racionalismo do iluminismo estava destruindo tanto o Protestantismo como o Catolicismo. Na Inglaterra a igreja estava sendo atacada pelo *deísmo, os pastores eram inadequadas para as suas funções e a imoralidade era alarmante.
* Uma atitude teológica entre o tradicionalismo e o ceticismo radical (ateísmo), significando geralmente uma crença em Deus ainda que seja freqüentemente usada como contra distinção ao teísmo. O deísmo foi pré ensinado por Erasmus que tentou criar uma teologia pura através do uso da razão e da exclusão das tradições irrelevantes que haviam sido adicionadas à simplicidade do Evangelho. Os deístas procuravam criar um cristianismo ético, menos preocupado com a espiritualidade. Na Inglaterra queriam reduzir a religião a um código de ética, quase transformando a igreja num departamento de imoralidade do Estado.
O racionalismo dos deístas, todavia, estabeleceu o ideal de liberdade e tolerância. Combateu o crescimento da imoralidade pública e como corolário da rejeição da revelação, enfatizou o valor do academicismo como ajuda à religião pura.
No avivamento inglês encontramos a figura de John Wesley que trabalhou por quase 5 décadas após ter o seu coração aquecido em 1738. John Wesley (1703-1791). foi o líder do Avivamento na Inglaterra no século 18 e o fundador do Metodismo. 15º filho de Samuel Wesley, pastor anglicano, foi educado por sua mãe Suzana Wesley.
Em 1729, retorna a Oxford onde encontra um grupo de homens que se reúnem todos os domingos a tarde para estudar a Bíblia. Esta reunião torna-se diária. O nome do grupo era "Clube Santo".
1. Particular interesse no que acreditavam ser o cristianismo primitivo.
2. Estudavam o Novo Testamento grego.
3. Jejuavam na quarta e sexta-feira.
4. Participavam da Ceia semanalmente.
5. Visitavam os doentes e prisioneiros.
Wesley tornou-se o líder do grupo, que por causa da ênfase na regularidade, tornou-se conhecido como Metodismo. Em viagem missionária com o irmão Carlos (1735), aos Índios na Georgia (USA), entrou em contato, ainda no navio, com os Moravianos e ficou impressionado com a fé dos mesmos. Após o retorno à Inglaterra em 1737, entrou em contato com Peter Boehler, ministro moraviano, que conduziu Wesley à sua conversão na quarta-feira do dia 24 de maio de 1738. Após isso, ministrou por cerca de 50 anos na Igreja Metodista.
O Metodismo contribuiu para com o surgimento do movimento missionário moderno, principalmente o conceito da graça livre de Wesley.
William Carey - Nos meados do século 18 acontecia na Inglaterra a Revolução Industrial com o aumento do comércio e a expansão inglesa em direção ao novo mundo. Até então, a nação não havia se expandido. Com o avanço comercial, as rotas marítimas se tornaram caminhos naturais para a expansão missionária.
Carey, aprendiz de sapateiro, possuía apetite pelo aprendizado. Tinha particular interesse em línguas, inclusive Grego e Hebraico e por Geografia. Seu interesse era pelas nações pagãs e para estimular a igreja escreveu em 1792, "Inquisição quanto às obrigações dos cristãos usarem meios para a conversão dos pagãos".
Carey nunca usou a frase "missões estrangeiras". Ele conhecia apenas a missão que fora confiada à igreja e todos os membros da igreja deveriam contribuir para a sua realização. Idealmente, acreditava que deveria existir apenas uma agência missionária não denominacional, mas por causa das diferenças, cada denominação deveria ter a sua agência. Todavia, elas deveriam manter comunicação amigável entre si e orar umas pelas outras, pois assim, as diferentes agências seriam uma.
4 - O SURGIMENTO DAS SOCIEDADES MISSIONÁRIAS
Influenciados por Carey, muitos pastores e líderes fundaram agências missionárias com o propósito de evangelizar os pagãos.
1792 - Sociedade Missionária Batista, que enviou Carey e John Thomas, médico, para a Índia em 1793.
1795 - Sociedade Missionária de Londres, predominantemente de congregacionais, mas também composta de presbiterianos, anglicanos e wesleianos. Foi decidido que não enviaram a denominação ao campo missionário. Cada missionário possuía a liberdade de selecionar qual a forma de igreja implantaria no campo.
1799 - Sociedade Missionária da Igreja. Nasceu dentro da Igreja Anglicana, por pessoas que haviam passado pelo Avivamento e tornou-se uma das mais influentes sociedades missionárias daquela época sob a liderança John Venn. Esposou a campanha contra a escravidão.
1799 - Sociedade dos Folhetos Religiosos, fundada com o propósito de imprimir literatura em Inglês, tendo depois expandido sua visão para imprimir periódicos para uso no campo missionário.
1804 - Sociedade Bíblica Estrangeira e Britânica (ambas não denominacionais).
1817/18 - Sociedade Missionária Metodista Wesleiana.
OUTRAS SOCIEDADES
As numerosas iniciativas acontecidas nos séculos 19 e 20 suscitaram um desejo de cooperação e coordenação. Foi assim que no princípio do séc. 19, que as sociedades bíblicas da Europa e da América exigiram estreita cooperação ecumênica. No ano de 1846, a "Aliança Evangélica", e uma "irmandade de oração contra a incredulidade", exortava a orar em comum pela unidade.
1844 - Associação Cristã de Moços (ACM). Criada por George Williams (1821-1905), para melhorar a condição espiritual de jovens no comércio. Produto do zelo evangelístico do Sec. 19. Estudos bíblicos tiveram início em 1847. Em 1855 eles formam a Aliança Mundial das ACMs cujo principal desejo era estender o reino de Deus entre os jovens. O moto da Associação era: "Que eles sejam um - para que o mundo creia".
1874 - União Cristã Feminina da Temperança. Fundada com o propósito de combater o vício do álcool dentro nos salões de bar. Promovia a campanha para o voto feminino, reforma nas prisões, leis contra o trabalho infantil e cruzadas contra o vicio.
1875 - Aliança Reformada Mundial
1881 - Foi celebrada a Primeira Conferência Metodista
1882 - Conferência de Lambeth da Igrejas de Comunhão Anglicana (nome dado por causa do lugar de reunião: o palácio do Arcebispo em Lambeth).
1891 - Reuniu-se pela primeira vez o Conselho dos Congregacionalistas
Estas organizações e muitas outras foram o fundamento para o trabalho missionário do que surgiria com muito vigor no Século 19.
Em termos de Brasil, estas histórias não são discutidas em nossos cursos de história, ficando, portanto um grande lacuna no entendimento não só da formação missiológica, mas também do desenvolvimento da igreja.
5 - COOPERAÇÃO MISSIONÁRIA DO 19º SÉCULO
Na metade do século 19, as organizações missionárias protestantes passaram a desenvolver seus trabalhos independentes umas das outras. A cooperação existente no início das juntas missionárias havia gradualmente desaparecido. Do período do surgimento das agências até o Congresso de Edimburgo em 1910 aconteceram muitas conferências regionais que vão desembocar em Edimburgo.
Quatro aspectos levaram a realização de Edimburgo.
1. Série de conferências lideradas pelos missionários nos países onde estavam servindo, para tratar dos problemas da teoria, prática e organização missionária.
2. Série de conferências nos Estados Unidos e Inglaterra, começando em 1854 em Nova Iorque e terminando também em NY em 1900.
3. Nos países enviadores, as constantes consultas para tratar dos problemas dos missionários e política missionária.
4. Mais importante foi a criação do Movimento Voluntário Estudantil que ditou os parâmetros para Edimburgo 1910 e a futura criação do Conselho Missionário Internacional.
Devemos dar destaque ao M.C.E. pois ele foi o principal elemento catalisador do movimento missionário moderno. Em 1885/6, J.K.E Studd, membro do "The Cambridge Seven" visitou as universidades americanas, pregando que as pessoas não deveriam buscar seus interesses, mas sim, o reino de Deus. Esta mensagem desafiou um jovem chamado John R. Mott, que havia sido influenciado pela ACM, que resolveu devotar a sua vida para servir a Jesus.
Em 1886 aconteceu a famosa reunião do Monte Hermon em Princeton sob a liderança de D.L. Moody. Mais de 100 estudantes preencheram formulários comprometendo-se com o campo missionário. Determinaram visitar as universidades, e em 1887 já havia 2.106 voluntários. Dentre eles, dois homens que iriam contribuir grandemente para com o avanço missionário: Robert E. Speer e Samuel Zwemer.
R. Zwemer (1867-1952). Americano, missionário e educador Presbiteriano. Serviu como missionário no Oriente Médio de 1890 a 1929, recebendo o título de "O Apóstolo Moderno para o Mundo Muçulmano". Mais tarde, ensinou no Seminário Princeton e foi o editor de The Moslem World.
Em 1889 foi fundado o Movimento Voluntário Estudantil, tendo Mott como presidente. O lema da Organização era: "A evangelização do mundo nesta geração". O movimento espalhou-se pela Europa e ganhou o mundo. Em 1892 formou-se a União Missionária Voluntária Estudantil (Internacional).
A partir deste momento, voltamos as nossas atenções ao desenvolvimento da missiologia dentro do movimento ecumênico. Devemos ter em mente que sem a contribuição deste primórdio não é possível entender o estágio atual em que se encontra o estudo missiológico.
6 - A MISSIOLOGIA DENTRO DO MOVIMENTO ECUMÊNICO
A. EDIMBURGO 1910
Esta assembléia de líderes mundiais para discutir a missão da igreja e o futuro missionário tornou-se um marco na história da igreja. Foi composta de 159 sociedades com mais de 1.200 delegados. A Conferência produziu novos recursos para a comunidade cristã que emergiu suprindo a visão, liderança e organização para uma nova era. Marcou a mudança do colonialismo eclesiástico para uma comunhão global.
Despertou ainda a consciência para a urgência da tarefa global da igreja e o reconhecimento de que a igreja existe para o campo missionário. Alguns fatores motivaram a conferência: mudanças políticas nos campos missionários, nacionalismo, a força do Islamismo. Problemas de ordem racial, econômica e social que os missionários teriam que se ajustar. As igrejas plantadas cresceram rapidamente. As igrejas sedes precisavam de ajustes, planejamentos e consultas para classificar a transição dentro dos movimentos. Havia. também o desejo da criação de um órgão internacional para beneficiar as sociedades missionárias na promoção do trabalho missionário. Seu resultado mais importante foi a fundação de um comitê de seguimento, que devia ocupar-se da celebração de conferências regionais e nacionais e que conduziu em 1948 na fundação do Concilio Mundial de Igrejas (CMI).
J. R. Mott foi a alma da Conferência Mundial de Missões, em Edimburgo em 1910, a qual ele mesmo qualificou de "a assembléia mais notável que jamais havia celebrado o interesse da evangelização do mundo".
B. CONSELHO MISSIONÁRIO INTERNACIONAL
Em 1921, no Lago Mohonk, Nova Iorque, 61 pessoas se reuniram para fundar o CMI. Três princípios nortearam a criação do CMI:
1. O poder decisório da política e prática missionária estavam nas mãos das juntas missionárias e suas igrejas.
2. O Conselho não faria nenhuma declaração de ordem eclesiástica ou doutrinária quando houvesse diferença entre os seus membros.
3. Qualquer resultado alcançado, seria visto como muito mais do que tão somente a participação humana. O CMI seria inteiramente dependente de Deus através da comunhão dos seus associados.
A função do conselho, cujos membros eram as organizações missionárias, era a de estimular a reflexão e a investigação sobre questões missionárias e tornar os resultados disponíveis a todos os membros; ajudar a coordenar esforços das diferentes juntas nos campos; ajudar a unir a opinião pública cristã no apoio à liberdade de consciência, religiosa; unir esforços cristãos na promoção da justiça nas relações internacionais e inter-raciais; publicar "The Internacional Review of Missions".
Na reunião do Lago Mohonk as resoluções foram feitas no contexto do relacionamento entre a missão e a igreja. Reconhecendo que o alvo da missão era o de plantar igrejas autóctones, formularam as seguintes questões:
1. Já não havia chegado a hora dos missionários trabalharem debaixo da autoridade dos nacionais e com o mesmo status eclesiástico dos nacionais?
2. Os assuntos concernentes à igreja local não deveriam ser discutidos entre os nacionais e missionários e não tão somente pelos missionários?
3. Não deveriam os fundos financeiros vindos do exterior serem administrados em conjunto?
4. Os nacionais não deveriam ser treinados e encorajados para todos os trabalhos dentro do país?
Estas questões indicavam que havia ainda um alto grau de paternalismo. Mas, também mostravam que os nacionais estavam atingindo a maturidade necessária para fazer essas perguntas.
A base Teológica do CMI era difícil de ser definida tendo em vista as muitas diferenças doutrinárias entre seus membros. Questionava-se a possibilidade de um trabalho cooperativo entre eles. O CMI alcançou um consenso com duas afirmações:
1. A obrigação comum de proclamar o evangelho de Cristo ao mundo todo.
2. Uma lealdade comum a Jesus Cristo baseada na confissão de Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", e de Tomé: "Senhor Meu, Deus Meu".
C. JERUSALÉM, 1928
O mundo havia passado pela Primeira Guerra Mundial (1914-18) e a Revolução Russa (1917). Foi neste contexto que na Páscoa de 1928, reuniram-se na Cidade Santa, aproximadamente 250 pessoas de 50 países. Era o primeiro encontro que realmente trazia juntos em número de igualdade, representantes missionários e nacionais e também em geografia. O representante brasileiro foi o Rev. Erasmo Braga.
O que não se discutia antes, o conteúdo da mensagem, pois todos assumiam qual seria ele e o que deveria ser proclamado. Em Jerusalém surgem duas escolas de pensamento:
1. Enfatizava a unidade do evangelho, mantendo que o convertido deveria renunciar completamente o seu sistema de crença e qualquer prática associada a ele.
2. Apelava ao estudo comparativo das religiões, via elemento de valores nas religiões não-cristãs e via o cristianismo como o cumprimento das verdades já possuídas em parte pelas outras crenças.
Criou-se um impasse. William Temple, escreveu o documento que foi aceito por todos. A sentença chave afirmava: "Jesus Cristo é a nossa mensagem". Quanto à obrigação missionária: "Cristo é o nosso motivo e Cristo é o nosso alvo. Não podemos dedicar menos e podemos ofertar mais". Quanto a questão social: "Aqueles que proclamam a mensagem de Cristo, precisam dar evidências dela em suas próprias vidas e na instituição social a qual pertencem".
Discutem que o grande inimigo da fé cristã é o secularismo. Este ácido corrosivo composto do humanismo, cientificismo e materialismo estava corrompendo a fé cristã na sua base.
Missões e a Consciência Social
A discussão em Jerusalém foi freqüentemente centralizada ao redor da preocupação social. O tema era associado com a construção do reino de Deus e por isso foi repudiado pelos delegados do grande continente. A maioria dos países de fala inglesa acreditava que qualquer ênfase social era não bíblica. Todavia, os delegados de fora do continente insistiam que a mensagem deveria conter também o aspecto social.
Em Jerusalém houve uma expansão do pensamento tradicional missionário. Insistiu que cada seguimento da sociedade, e não somente o indivíduo, precisava ser alcançado e colocado debaixo da soberania de Cristo.
D. MADRAS, 1938
Em Tambaram, perto de Madras, no mês de Dezembro de 1938, realizou-se o segundo encontro do Conselho Missionário Internacional. É considerado um dos mais importantes encontros no desenvolvimento do movimento missionário moderno, principalmente pela participação dos delegados das chamadas igrejas jovens. Estavam presente 471 homens e mulheres de 69 países. A conferência se reuniu às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Assim, o congresso preparou a igreja para passar pelo fogo da perseguição.
Uma questão estava na mente de todos: "Qual é a natureza e autoridade da fé?" Anterior ao congresso, Hendrik Kraemer foi comissionado para escrever um volume sobre a abordagem cristã aos não cristãos. O resultado foi o famoso livro: "The Christian Message in a Non-Christian World".
Preocupado principalmente com o aspecto da revelação, ele apresentou aquilo que pode ser chamado de teologia bartiana de missão. Seu fundamento, "realismo bíblico", significava aceitação da Bíblia como a única escrita do pensamento e ação de Deus com referência a humanidade e de nenhuma maneira a história da peregrinação religiosa de cada povo como sendo parte da raça humana.
Ele argumentou que a realidade do mundo espiritual apreendida pelo realismo bíblico - a verdade e a graça de Deus conhecidas em Cristo - é totalmente diferente de e não algo contínuo com o mundo da razão, natureza e história. Kraemer rejeitou toda teologia natural e com isto tudo aquilo que geralmente é considerado como preparação entre as religiões não-cristãs para receber o evangelho. Pregou, portanto, a descontinuidade, por não haver nenhuma conexão entre o evangelho e as aspirações das religiões do mundo. Naturalmente que a posição de Kraemer suscitou muitas discussões, e as igrejas jovens tiveram problemas em aceitar a sua posição.
Assim como Barth, Kraemer, assegurava que as outras religiões não ofereciam ponto de contato com a fé cristã. Desde que elas são produtos dos esforços humanos, nenhuma revelação de Deus pode ser encontrada nelas. Quando não se podia chegar a uma conclusão sobre este assunto, buscou-se um pensamento que pudesse agradar a todos: "Credita-se às religiões não-cristãs esperiências religiosas de profundo valores e grandes resultados morais", e afirmava ainda "que em todos os lugares e em todos os tempos (Deus) procurava revelar-se a sim mesmo ao homem".
Um outro aspecto interessante de Madras foi a importância do papel da igreja no desenvolvimento missionário. Foi reconhecido a fraqueza e o mundanismo das igrejas e via a igreja em pé no julgamento perante Deus. Madras concentrou-se na igreja mas não a tornou absoluta. As igrejas jovens, principalmente, estavam concentradas no papel da igreja, e que as suas igrejas não eram meros departamentos missionários das igrejas enviadoras. Contendiam que a evangelização era a tarefa de toda a comunidade. Um ponto estava bem claro. A missão não é um seguimento da vida da igreja. Ao contrário, a igreja existe para cumprir a missão divinamente ordenada por Deus e esta responsabilidade recaia sobre todos os membros da igreja.
E. WHITBY, 1947
Reuniu-se em Julho de 1947, na região de Ontário, Canada. Era a primeira reunião de líderes protestantes depois da guerra. Foi uma reunião bem menor, pois somente 112 pessoas de 40 países puderam atende-la. Os resultados de Madras permaneciam virtualmente intocáveis e relevantes em 1947. O que emergiu em Whitby não foi para suplantar Madras, mas para suplementar aquelas resoluções em um mundo já transformado pela guerra. O tema da conferência era: "O Testemunho Cristão em um Mundo Revolucionário".
Em Whitby vemos surgir uma nova era de líderes. J. Mott que havia presidido todos os congressos até então, estava assentado na primeira fileira de cadeiras, mas não presidia mais. Falava-se inclusive da "era pós-Mott". A tarefa dos delegados era tríplice:
• Fazer um pesquisa dos efeitos da guerra sobre as igrejas,
• Redescobrir o essencial do evangelho e sua relevância para um mundo partido,
• Convocar novamente a igreja para a sua tarefa central - evangelismo.
Por causa da guerra e também das decisões dos congressos anteriores, trabalhou-se com a idéia da "supranacionalidade", ou seja: o missionário não estava acima dos obreiros nacionais e nem a ele foi dado o status de cidadão internacional. Exigia-se que do missionário responsabilidade e solidariedade com o mundo, e que a cidadania do reino exigia que o missionário não poderia mais identificar-se, sem reservas, com a sua nação e aspirações delas. A primeira lealdade do missionário era com Jesus Cristo.
Whitby deve ser lembrado por três coisas:
• Sua determinação em fazer do evangelismo o coração e a parte central do movimento missionário.
• Sua revelação de uma nova igualdade, uma nova unidade, entre as igrejas velhas e novas.
• Sua demonstração de alta unidade entre as igrejas cristãs do mundo todo.
Devemos entender que em Whitby não era somente pregar o evangelho que estava sendo enfatizado, porque isto era feito, mas sim a ênfase na conversão das pessoas.
Estas foram as quatro reuniões promovidas pelo Conselho Missionário Internacional. Começando em Nova Iorque em 1921, passando por Jerusalém em 1928, Madras em 1938 e culminado em Whitby em 1947. A partir deste momento, vai surgir em 1948 em Amsterdã, o Conselho Mundial de Igrejas (que pode datar a sua origem deste de Edimburgo 1910), que passará a organizar os congressos do C.M. Internacional.
F. WILLINGEN (ALEMANHA, 1952).
Entre Whitby e Willingen, no ano de 1949, a China havia passado por uma grande revolução, quando Mao Tse Tung tomou o poder. Com isto, todos os missionários foram expulsos da China. Quem mais sofreu com este golpe foi os Estados Unidos pois a China era o país que mais recebia missionários norte americanos.
O tema de Willingen era: "A Obrigação Missionária da Igreja". O mundo era o horizonte da missão, a igreja não pratica a missão senão que ela mesmo é a missão e é unicamente igreja porque se entrega plenamente nas mãos de Deus e se deixa utilizar por ela na ação divina na Ecumene.
A grande influência no congresso foi exercida por J. C. Hoekendijk, que havia sido em 1949-1952 o secretário de evangelização do Conselho que se voltou contra o tema do congresso. Hoekendijk desenvolve a teologia do apostolado. Se em Tambaram houve a distinção entre a missão centralizada na igreja e a missão centralizada na sociedade, agora emergia o conceito da igreja centralizada na missão. Missão era uma característica essencial da igreja. Para Hoekendijk o centro na igreja era ilegítimo. Não era a igreja, mas sim o mundo o centro da preocupação de Deus.
Introduz também o conceito de missio Dei, que tem Deus como ponto de partida, mais tarde perde este sentido para significar as atividades de Deus no mundo independente da igreja.
G. GANA (1957)
O propósito velado era integrar o Conselho Missionário no Conselho que havia sido fundado em 1948. O propósito do Conselho Missionário - a evangelização de dois terços da população não cristã não foi cumprido e vem a se tornar secundário no CMI (Carriker). Esta integração do Conselho Missionário ao Conselho de Igrejas era um erro na avaliação de Max Warren e Ralph Winter. Enquanto que o Conselho Missionário era composto de organizações missionárias e igrejas do mundo não ocidental, o C. de Igrejas seria apenas de igrejas.
H. NOVA DELI (ÍNDIA 1961)
O Conselho Missionário Internacional foi integrado ao CMI e transformado em Comissão de Missão Mundial e Evangelismo. Nesta ocasião, o alvo da missão foi descrito como: "a proclamação ao mundo todo do evangelho de Jesus Cristo para que todo homem creia nele e seja salvo". Uma definição que ainda refletia Kraemer e Barth (Bosch). Todavia, outras vozes começaram a formular outras teorias, como a do Cristo cósmico, ou seja, a íntima relação entre criação e redenção, sendo que esta última é inclusiva da primeira. Assim, Deus é ativo em todas as facetas da história mundial. O contraste em igreja e mundo foi abandonado. Lesslie Newbigin, protestou contra essa formulação, pois para todos os propósitos práticos Deus era identificado com o desenvolvimento do processo histórico.
Outro resultado, é que a palavra 'diálogo' começou a fazer parte da teologia de missão. Segundo Bosch vemos aqui uma sequência de como isto de se deu:
• O testemunho cristão para os homens de todas as fé,
• O encontro cristão com os homens de outras fé,
• Cristãos em diálogo com homens de outras fé,
• Diálogo entre homens de fé viva.
A partir deste momento os encontros para tratar da missão da igreja passam as ser auspiciados pelo CMI, mais especificamente pelo seu departamento de Comissão de Missão Mundial e Evangelismo.
I - COMISSÃO DE MISSÃO MUNDIAL E EVANGELISMO
(1) Cidade do México (1963) - primeira reunião.
Foi a primeira reunião depois que o Conselho Missionário tornou-se parte do CMI. A influência deste sobre o aspecto missionário já era evidente. O tema foi a missão nos seis continentes, uma idéia da missão mundial e não mais ocidental. Surge em todo o mundo, principalmente nos países cristãos, certas situações que precisam ser designadas como situações de missão. Temos aqui o reverso da missão: sul para norte e leste para o oeste. Causa confusão no mundo católico, porque não consegue distinguir entre proclamação missionária e renovação cristã (K. Muller).
Se a missão pertence a essência da igreja, isto deve ser aplicado em todos os lugares, inclusive no Ocidente. A igreja é sempre uma igreja missionária. Segundo Bosch este tema mostrava algumas vantagens:
• Tornou a igreja consciente do seu chamado missionário em seu próprio contexto,
• Acentuou a extensão global da dimensão missionária,
• Ajudou a combater as estruturas paternalistas antiquadas,
• Questionou a missão de mão única feita pelos Norte-Atlânticos e o sentimento de possessão que eles possuíam.
• Abria espaço para a reciprocidade.
Esta idéia tinha alguns problemas. O principal deles foi levantado por Ralph Winter a respeito dos 85% as pessoas que não tinham tido o privilégio de ouvir de Cristo e que estavam habitando fora dos limites da igreja.
(2) Bangkok (Tailândia 1973) segunda reunião.
O tema do congresso foi: Salvação Hoje. Uma das questões da conferência era se salvação significava mais do a libertação individual do pecado e da condenação. O que estava em jogo aqui eram as dimensões sociais e temporais da salvação, e consequentemente da missão. Depois de Bangkok estas dimensões da salvação foram aceitas com axiomáticas e jamais contestadas.
M. M. Thomas, da Índia, foi muito influente e declarou: "Aqui está a missão da igreja: participar nos movimento de libertação do ser humano". Thomas reverteu a máxima de que a fé cristã deveria estimular algum envolvimento social, ao dizer que um envolvimento social requeria uma certa espiritualidade.
Um dos debates mais calorosos girava em torno das igrejas jovens na Ásia e na África. Estas igrejas estiveram sempre cuidadas pelas agências missionárias do Ocidente. Atinge-se, portanto, um momento crítico de perguntar quem é o responsável pela missão. Estas igrejas jovens prosseguem em seus crescimentos e tornam-se cada vez mais auto-suficientes, assumindo a responsabilidade missionária em volta de si mesmas. Com isto as agências missionárias do Ocidente foram perdendo o monopólio da missão, algumas inclusive passando pelo banco de réu. O verdadeiro ponto crítico desde situação aconteceu em Bangkok (pós-guerra do Vietnan), onde formularam as seguintes diretrizes:
1. As organizações missionárias e as igrejas ocidentais devem cooperar com as igrejas jovens da Ásia e África e assumir juntamente com elas, "com espírito de associação e colaboração", a responsabilidade missionária.
2. A missão é o mandato dirigido pelo Senhor ressurreto a toda a sua igreja e não pode seguir sendo, portanto, um empresa privada dos "amigos da missão". Consequentemente a responsabilidade da missão é da igreja, mas exatamente da igreja local em sua situação correspondente.
3. A missão, no mundo secular, determinado pela civilização técnica, não pode ser descrita simplesmente com transposição de fronteiras geográficas, culturais e religiosas, mas que: "A comunidade cristã deve entender que Deus a envia ao mundo secular. Os cristãos devem cumprir suas funções onde estão situados: no escritório, na fábrica, na escola, na agricultura, lutando sempre pela paz e por uma ordem justa nos relacionamentos entre os diversos setores sociais e raciais".
(3) Melbourne (Austrália 1980), terceira reunião.
Desenvolveu o conceito de Missão Holística. Acentuou a necessidade de pregar o nome de Jesus, a vida de oração, o culto e a eucaristia. Viu também com igual importância que a crise política e social do mundo afetava também a igreja., que a injustiça e a exploração são desafios para a igreja. Teria que se ter uma opção de pregar ao pobres, o tema inclusive foi: "Boas Novas para os Pobres". Neste encontro participaram alguns evangelicais, dentre eles Orlando Costas.
(4) Santo Antonio (1989 USA Texas), quarta reunião.
O tema era: Seja feita a tua vontade: Missão da maneira de Cristo. 500 participantes de quase 100 países. A intenção da conferência não era produzir um novo refinamento na missiologia mas pressionar as igrejas do mundo a uma fidelidade aos imperativos missiológicos já conhecidos. Este encontro, segundo D. Bosch, "não foi bem sucedido em produzir qualquer contribuição significante ao pensamento missionário, na verdade, ele conduziu a algumas confusões".
(5) Salvador, Bahia (1998)
Em busca de um relacionamento maduro entre as igrejas para completar a tarefa. Extraido de J. Verkuyl, Contemporary Missiology
1. A reunião de Bangkok acentuou a necessidade de um relacionamento maduro entre as igrejas da Asia, Africa e América Latina com as igrejas do Norte. Vozes vindas da Africa ecoaram em oposição a uma relação constante de paternalismo e da América Latina podia-se escutar o grito de indignação contra as estruturas que perpetuavam as igrejas a uma dependência de recursos materiais e humanos de fora.
Esta pressão não se dava para acabar com os relacionamentos, mas para revê-los. Nas discussões que se seguiram, o termo "moratória"foi cunhado especialmente pelas igrejas da Africa. Este termo não foi feliz porque dava a idéia de uma cessação total dos relacionamentos, todavia, ele significava uma suspensão temporária do envio de missionários, para que os nacionais pudessem por a casa em ordem e então partir para um novo relacionamento.
B. A proposta para a Moratória
1. A idéia para a moratória surgiu na Conferência das Igrejas da Africa em Lusaka em 1974. Foi discutida como um tópico isolado, sem discussões anteriores com os membros das igrejas.
• Temos o privilégio de contribuir com a redenção da raça humana e a nossa contribuição tem que ser africana. Para atingir este objetivo temos que parar de receber dinheiro e missionários do estrangeiro.
• Declara então uma moratória quanto a receber fundos e pessoas.
• Estavam conscientes das dificuldades que enfrentariam quanto aos programas existentes.
Esta idéia não foi discutida em profundidade. Meses após em Lausanne, João Gatu, que era o presidente da Conferência das Igrejas da Africa e um dos idealizadores da idéia, afirmou que eles foram mal interpretados. Disse: "As igrejas da Africa são muitos dependentes do Ocidente, mas erram aqueles que pensam que nós queremos terminar com toda a ajuda que nos é dada. Queremos que o Ocidente ajude a Igreja na Africa a desenvolver programas que levassem a uma auto-suficiência".
Ficou de positivo neste manifesto:
• Foi uma reação contra o paternalismo.
• Mostrou uma reação contra a tendência de desprezar a cultura africana por parte das igrejas dos brancos - reduzir o povo a objeto e não sujeito.
• Foi um protesto contra as "missões de fé" que operam na Africa mas não respeitam as estruturas existentes. Em Lausanne esta reclamação foi muito forte.
2. A discussão asiática sobre o tema da moratória
A Conferência Cristã da Asia soltou um documento intitulado "Deixe o meu povo ir". Ele não acentuava a idéia de moratória, mas convoca as igrejas minoritárias (Ocidente) a dar-se a si mesma com grande devoção à causa da evangelização da Asia onde metade da população habita. Convocava as igrejas as rever o passado eclesiástico, e então proceder para estabelecer prioridades no futuro.
Algumas destas prioridades são:
• Oo aumento da consciência das igrejas locais da mudança social e encorajá-las a um maior contato com as comunidades de outras regiões;
• Aumentar o cuidado para com os migrantes da vila cujas vindas para a cidade causam grandes transtornos.
• Aumentar o entendimento da cultura e sociedade dos países vizinhos no continente asiático.
O documento não solicita que as igrejas parem de enviar ajuda, mas que trabalhem na Asia em conjunto com as igrejas locais no estabelecimento das prioridades locais.
Sincronizando missão com evangelismo nos seis continentes. Tradicionalmente nas igrejas ocidentais o termo evangelismo é usado para o trabalho que é feito localmente, enquanto que missão.
Esta situação não é mais aceita, tendo em vista que as igrejas nos USA e na Europa confrontam uma situação missionária em seus próprios países. As massas que um dias foram evangelizadas estão agora em situação de descrédito. A linguagem para evangelizá-los não é a mesma para os povos que nunca ouviram o evangelho. A distinção portanto não é geográfica. A nossa tarefa é sincronica, no sentido de todos fazerem ao mesmo tempo em todos os lugares.
O MANIFESTO DE MANILA - 21 AFIRMAÇÕES
1. Nós afirmamos o nosso contínuo compromisso com o Pacto de Lausanne como a base para a cooperação no Movimento de Lausanne.
2. Nós afirmamos que nas Escrituras do Velho e Novo Testamentos Deus nos deu uma revelação autoritativa do Seu caráter e vontade, seus atos redentivos e seus significados, e o mandato para missão.
3. Nós afirmamos que o evangelho bíblico é a mensagem perseverante para o nosso mundo, e nós determinanos defendê-lo, proclamá-lo e personificá-lo.
4. Nós afirmamos que os seres humanos, ainda que criados a imagem de Deus, são pecadores e culpados, e perdidos sem Cristo, e que esta verdade é uma necessidade preliminar ao evangelho.
5. Nós afirmamos que o Jesus da história e o Cristo da glória são a mesma pessoa e que este Jesus Cristo é absolutamente único, porque somente ele é o Deus encarnado, o que leva os nossos pecados, o conquistador da morte e o juíz vindouro.
6. Nós afirmamos que na cruz Jesus tomou os nossos lugares, levou os nossos pecados e morreu a nossa morte, e por causa desta razão somente Deus gratuitamente perdoa aqueles que chegam ao arrependimento e fé.
7. Nós afirmamos que outras religiões e ideologias não são caminhos alternativos para Deus, e que a espiritualidade humana, se não for redimida por Cristo, leva não a Deus, mas ao julgamento, porque Cristo é o único caminho.
8. Nós afirmamos que precisamos demonstrar o amor de Deus de maneira visível se preocupando com aqueles que são destituídos de justiça, dignidade, comida e abrigo.
9. Nós afirmamos que a proclamação do reino de justiça e paz de Deus exige o denunciamento de toda injustiça e opressão tanto no nível pessoal como estrutural; nós não nos encolheremos deste ministério profético.
10. Nós afirmamos que o testemunho do Espiríto Santo para com Cristo é indispensável para o evangelismo, e que sem o seu trabalho sobrenatural nem o novo nascimento e nem a nova vida é possível.
11. Nós afirmamos que a batalha espiritual exige armas espirituais, e que nós precisamos pregar a palavra no poder do Espiríto, e orar continuamente a fim de que possamos entrar na vitória de Cristo sobre os principados e poderes do mal.
12. Nós afirmamos que Deus comprometeu a igreja toda e cada um membro da mesma para a tarefa de tornar Cristo conhecido em todo o mundo; nós ansiamos em ver os leigos e os que são ordenados mobilizados e treinados para esta tarefa.
13. Nós afirmamos que nós que clamamos ser membros do Corpo de Cristo precisamos trabscender em nosso meio de comunhão as barreiras de raça, grau e classe.
14. Nós afirmamos que os dons do Espiríto Santo são distribuídos a todo o povo de Deus, homens e mulheres, e que suas parcerias na evangelização precisam ser bemvindas para o bem de todos.
15. Nós afirmamos que nós que proclamamos o evangelho precisamos exemplificá-lo em uma vida de santidade e amor; senão o nosso testemunho perde a sua credibilidade.
16. Nós afirmamos que cada congregação precisa voltar-se para a sua comunidade local em testemunho evangelístico e serviço de compaixão.
17. Nós afirmamos a urgente necessidade de igrejas, agências missionárias e outras organizações cristãs cooperarem em evangelismo e ação social, repudiando competições e evitando duplicações.
18. Nós afirmamos o nosso dever de estudar a sociedade em que vivemos, a fim de entender suas estruturas, valores e necessidades, para assim desenvolver uma estratégia apropriada de missão.
19. Nós afirmamos que a evangelização mundial é urgente e que o alcance dos povos não alcançados é possível. Assim nós resolvemos que durante a última década deste século 20 doar-nos a nós mesmos a estas tarefas com renovada determinação.
20. Nós afirmamos a nossa solidariedade com aqueles que sofrem pelo evangelho, e procuraremos nos preparar para esta mesma possibilidade. Nós também trabalharemos por liberdade religiosa e política onde for necessário.
21. Nós afirmamos que Deus está chamando a igreja toda para levar o evangelho todo ao mundo todo. Assim nós determinamos proclamá-lo fiel, urgente e sacrificialmente até que ele venha.
Fonte: http://www.ipbancarios.org/index.php?option=com_content&view=article&id=197:fundamentos-teologicos-da-missao-&catid=55:artigos-estudos-e-textos&Itemid=94
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